Tipo de conteúdo: Relato bíblico
Onde os Evangelhos situam Maria
Lucas apresenta Maria como uma virgem de Nazaré, cidade da Galileia, desposada com José, da casa de Davi (Lc 1,26-27). Mateus conta que a família, depois do retorno do Egito, foi morar em Nazaré (Mt 2,22-23), e Lucas diz que, cumpridas as prescrições da Lei, voltaram à Galileia, à sua cidade de Nazaré (Lc 2,39).
O narrador de Lucas ancora a história em nomes e datas que a história geral conhece: Herodes, rei da Judeia (Lc 1,5); um edito de César Augusto (Lc 2,1); o ano décimo quinto de Tibério, com Pôncio Pilatos governador da Judeia e Herodes tetrarca da Galileia (Lc 3,1).
Fontes: Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata); Evangelho segundo Mateus (Nova Vulgata)
Tipo de conteúdo: Informação histórica documentada
Nazaré: o que a arqueologia permite afirmar
A Custódia da Terra Santa, cujos frades conduziram escavações na área dos santuários, resume: Nazaré não consta da lista das cidades de Zabulon (Js 19,10-15) nem é citada por Flávio Josefo, e as escavações identificaram uma aldeia agrícola, com moradias simples construídas em torno de cavernas usadas para o trabalho doméstico e para abrigar animais. A Custódia lembra também que Nazaré ficava perto de Tzippori (Séforis), capital administrativa e comercial da Galileia, reconstruída entre 10 e 20 d.C., obra para a qual os moradores de Nazaré contribuíram com mão de obra.
O arqueólogo Ken Dark, da Universidade de Reading, afirma em síntese publicada em 2020 que as evidências de três sítios indicam que Nazaré era habitada pelo menos desde o início do século I, provavelmente desde o período helenístico tardio, como comunidade judaica que incluía grupos familiares.
Fontes: Nazareth (Custódia da Terra Santa); The Archaeology of Nazareth in the Early First Century (Ken Dark)
Tipo de conteúdo: Relato bíblico
Vida religiosa e trabalho, como os Evangelhos os mostram
Lucas diz que os pais de Jesus subiam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa (Lc 2,41) e que Jesus, em Nazaré, entrava na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume (Lc 4,16). Na apresentação no Templo, a oferta foi «um par de rolas ou dois pombinhos» (Lc 2,24), que o Concílio Vaticano II chama de «oferta dos pobres» (Lumen Gentium 57).
Sobre o trabalho, Mateus registra a pergunta dos conterrâneos: «Não é este o filho do carpinteiro?» (Mt 13,55); em Marcos, perguntam: «Não é este o carpinteiro, o filho de Maria?» (Mc 6,3). A palavra latina é faber, que designa quem trabalha como artesão.
Fontes: Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata); Evangelho segundo Mateus (Nova Vulgata); Evangelho segundo Marcos (Nova Vulgata); Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II)
Tipo de conteúdo: Nota editorial
Uma imagem europeia, não um retrato da Nazaré do século I
A gravura de abertura (Albrecht Dürer, cerca de 1511) mostra a Sagrada Família entre casas e uma oficina ao modo europeu do século XVI. Os artistas representavam o passado com as roupas e a arquitetura do próprio tempo. Esta imagem ilustra o capítulo como obra de arte, e não descreve como era Nazaré.
Sem fonte específica: nota editorial do projeto.
Tipo de conteúdo: Questão ainda não esclarecida
O que ainda não sabemos
Os Evangelhos canônicos não dão a data nem o lugar do nascimento de Maria, nem a sua idade, aparência ou rotina. As narrativas que tentam preencher essas lacunas são apócrifas e tradicionais, e estão nos capítulos seguintes com essa identificação. Estudos acadêmicos sobre a vida familiar, a educação, a língua falada e o papel das mulheres na Galileia do século I ainda precisam ser pesquisados e citados aqui; por isso este capítulo não afirma nada sobre esses temas.
Sem fonte específica: nota editorial do projeto.
Última verificação documental: · Revisão teológica humana: ainda não realizada.

