A vida de Maria, parte 1 de 13

O mundo em que Maria viveu

Nazaré, uma aldeia da Galileia, no tempo de Herodes e de Augusto: o que os Evangelhos, a arqueologia e a história permitem afirmar sobre o mundo de Maria, e o que continua desconhecido.

Referências bíblicas: Lc 1,5; Lc 1,26-27; Lc 2,1-4; Lc 2,39; Lc 3,1-2; Lc 4,16; Mt 2,22-23

Gravura em preto e branco: diante de casas, Maria sentada com o Menino e José trabalhando a madeira; anjinhos recolhem cavacos.
Albrecht Dürer, A Sagrada Família no Egito, da série A Vida da Virgem, 1511.Autoria: Albrecht Dürer. Acervo: The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). OrigemVer a obra inteira

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

Onde os Evangelhos situam Maria

Lucas apresenta Maria como uma virgem de Nazaré, cidade da Galileia, desposada com José, da casa de Davi (Lc 1,26-27). Mateus conta que a família, depois do retorno do Egito, foi morar em Nazaré (Mt 2,22-23), e Lucas diz que, cumpridas as prescrições da Lei, voltaram à Galileia, à sua cidade de Nazaré (Lc 2,39).

O narrador de Lucas ancora a história em nomes e datas que a história geral conhece: Herodes, rei da Judeia (Lc 1,5); um edito de César Augusto (Lc 2,1); o ano décimo quinto de Tibério, com Pôncio Pilatos governador da Judeia e Herodes tetrarca da Galileia (Lc 3,1).

Fontes: Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata); Evangelho segundo Mateus (Nova Vulgata)

Tipo de conteúdo: Informação histórica documentada

Nazaré: o que a arqueologia permite afirmar

A Custódia da Terra Santa, cujos frades conduziram escavações na área dos santuários, resume: Nazaré não consta da lista das cidades de Zabulon (Js 19,10-15) nem é citada por Flávio Josefo, e as escavações identificaram uma aldeia agrícola, com moradias simples construídas em torno de cavernas usadas para o trabalho doméstico e para abrigar animais. A Custódia lembra também que Nazaré ficava perto de Tzippori (Séforis), capital administrativa e comercial da Galileia, reconstruída entre 10 e 20 d.C., obra para a qual os moradores de Nazaré contribuíram com mão de obra.

O arqueólogo Ken Dark, da Universidade de Reading, afirma em síntese publicada em 2020 que as evidências de três sítios indicam que Nazaré era habitada pelo menos desde o início do século I, provavelmente desde o período helenístico tardio, como comunidade judaica que incluía grupos familiares.

Fontes: Nazareth (Custódia da Terra Santa); The Archaeology of Nazareth in the Early First Century (Ken Dark)

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

Vida religiosa e trabalho, como os Evangelhos os mostram

Lucas diz que os pais de Jesus subiam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa (Lc 2,41) e que Jesus, em Nazaré, entrava na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume (Lc 4,16). Na apresentação no Templo, a oferta foi «um par de rolas ou dois pombinhos» (Lc 2,24), que o Concílio Vaticano II chama de «oferta dos pobres» (Lumen Gentium 57).

Sobre o trabalho, Mateus registra a pergunta dos conterrâneos: «Não é este o filho do carpinteiro?» (Mt 13,55); em Marcos, perguntam: «Não é este o carpinteiro, o filho de Maria?» (Mc 6,3). A palavra latina é faber, que designa quem trabalha como artesão.

Fontes: Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata); Evangelho segundo Mateus (Nova Vulgata); Evangelho segundo Marcos (Nova Vulgata); Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II)

Tipo de conteúdo: Nota editorial

Uma imagem europeia, não um retrato da Nazaré do século I

A gravura de abertura (Albrecht Dürer, cerca de 1511) mostra a Sagrada Família entre casas e uma oficina ao modo europeu do século XVI. Os artistas representavam o passado com as roupas e a arquitetura do próprio tempo. Esta imagem ilustra o capítulo como obra de arte, e não descreve como era Nazaré.

Sem fonte específica: nota editorial do projeto.

Tipo de conteúdo: Questão ainda não esclarecida

O que ainda não sabemos

Os Evangelhos canônicos não dão a data nem o lugar do nascimento de Maria, nem a sua idade, aparência ou rotina. As narrativas que tentam preencher essas lacunas são apócrifas e tradicionais, e estão nos capítulos seguintes com essa identificação. Estudos acadêmicos sobre a vida familiar, a educação, a língua falada e o papel das mulheres na Galileia do século I ainda precisam ser pesquisados e citados aqui; por isso este capítulo não afirma nada sobre esses temas.

Sem fonte específica: nota editorial do projeto.

Última verificação documental: · Revisão teológica humana: ainda não realizada.