A vida de Maria, parte 5 de 13

A Anunciação

O anjo Gabriel é enviado por Deus a Nazaré, a Maria. Este é o relato de Lucas, o consentimento de Maria e o que a Igreja ensina sobre ele.

Referências bíblicas: Lc 1,26-38

O anjo Gabriel, em vestes bordadas de ouro, e Maria, de manto azul sobre vestido vermelho, ajoelhada diante de um livro, num quarto com cortina vermelha e janela aberta.
Hans Memling, A Anunciação, cerca de 1465-70.Autoria: Hans Memling. Acervo: The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). OrigemVer a obra inteira

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

O relato de Lucas

«No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria» (Lc 1,26-27, na tradução do sítio do Vaticano).

O anjo a saúda como «cheia de graça» e diz que o Senhor está com ela. Maria fica perturbada com a saudação. O anjo lhe diz que não tema, porque achou graça junto de Deus: conceberá e dará à luz um filho a quem dará o nome de Jesus; ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, o Senhor lhe dará o trono de Davi, seu pai, e seu reino não terá fim (Lc 1,30-33). Maria pergunta como isso acontecerá, já que não conhece homem. O anjo responde que o Espírito Santo virá sobre ela e a virtude do Altíssimo a cobrirá com sua sombra, e por isso o que nascer será santo, chamado Filho de Deus; e lhe dá o sinal de Isabel, sua parenta, grávida no sexto mês (Lc 1,34-37). Maria responde: «Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra». E o anjo a deixa (Lc 1,38).

Fontes: Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata); Sagrada Escritura - passagens marianas (Lc 1-2; Mt 1-2; Jo 2; Jo 19; At 1)

Tipo de conteúdo: Doutrina da Igreja

O consentimento de Maria

A Constituição Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, ensina que o Pai das misericórdias quis que a aceitação por parte daquela que predestinara para mãe precedesse a encarnação (LG 56). Maria, «filha de Adão», dando o seu consentimento à palavra divina, tornou-se Mãe de Jesus; os Padres consideram que ela não foi instrumento meramente passivo, mas cooperou livremente, pela fé e pela obediência, na salvação dos homens (LG 56). A Anunciação também fundamenta o título de Mãe de Deus: a Virgem «recebeu o Verbo no coração e no seio» (LG 53). O Catecismo cita a promessa do anjo, «O Espírito Santo virá sobre ti» (Lc 1,35), ao tratar da concepção de Jesus (§ 484), e ensina que Jesus foi concebido sem semente de homem, do Espírito Santo (§ 496).

Fontes: Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II); Catecismo da Igreja Católica, §§ 422-682 (Cristo; Maria)

Tipo de conteúdo: Tradição cristã

Nazaré e o lugar da Anunciação

A Custódia da Terra Santa resume a história de veneração do lugar. No século IV, Epifânio descreve o empenho do conde José em obter de Constantino licença para construir igrejas na Galileia, inclusive em Nazaré. No século VI, o diário de um peregrino anônimo de Piacenza (cerca de 570) fala de uma basílica da «casa de Maria» onde as vestes de Maria eram veneradas. Em 670, o peregrino Arculfo encontrou duas igrejas: a da Nutrição, hoje a igreja de São José, e a da casa de Maria, onde está hoje a Basílica da Anunciação. Essas informações dizem respeito à veneração do lugar ao longo do tempo, e não são prova arqueológica de que o local seja o da Anunciação.

Fontes: Nazareth (Custódia da Terra Santa)

Tipo de conteúdo: Narrativa apócrifa

Outra versão: o Protoevangelho

O Protoevangelho de Tiago conta que Maria saiu com o cântaro para buscar água e ouviu uma voz: «Ave, tu que recebeste a graça; o Senhor está contigo; bendita és tu entre as mulheres». Ao olhar em volta e não ver ninguém, voltou assustada para casa; então um anjo do Senhor se apresentou diante dela e repetiu a anunciação, em termos próximos aos de Lucas (cap. 11). Esse relato se apoia em Lucas e acrescenta detalhes (a voz junto ao cântaro, a púrpura que ela fiava), que não estão no Evangelho.

Fontes: Protoevangelho de Tiago (tradução em inglês)

Tipo de conteúdo: Liturgia e calendário

Calendário e oração

A Anunciação do Senhor é celebrada em 25 de março (solenidade), nove meses antes do Natal. A oração do Angelus, que recorda este momento, está na página de orações.

Fontes: General Roman Calendar (Calendário Romano Geral); Compêndio do Catecismo da Igreja Católica - Apêndice: Orações comuns

Tipo de conteúdo: Arte e iconografia

Duas Anunciações

A pintura de Hans Memling (cerca de 1465-70) mostra o anjo Gabriel, em vestes bordadas de ouro, e Maria ajoelhada junto a um livro, em um quarto de cortina vermelha e janela aberta para uma cidade. A xilogravura de Dürer (1511) a situa em uma grande sala abobadada, com a pomba do Espírito no alto. São imagens dos séculos XV e XVI, com detalhes (livro, lírio, interior doméstico) que a arte acrescentou ao texto de Lucas.

Fontes: Acervo Open Access do Metropolitan Museum of Art: obras sobre a vida de Maria

Gravura em preto e branco: em uma grande sala abobadada, o anjo e Maria estão ajoelhados em lados opostos; no alto, uma pomba.
Albrecht Dürer, A Anunciação, da série A Vida da Virgem, 1511.Autoria: Albrecht Dürer. Acervo: The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). Origem

Tipo de conteúdo: Nota editorial

Não confundir

Esta é a Anunciação a Maria, narrada por Lucas. O anúncio a José em sonho (Mt 1,20-21) está no capítulo anterior, e o episódio do anjo anunciando o nascimento de Maria a Joaquim e a Ana pertence às narrativas apócrifas (capítulo 2).

Sem fonte específica: nota editorial do projeto.

Última verificação documental: · Revisão teológica humana: ainda não realizada.