A vida de Maria, parte 10 de 13

Paixão: Maria junto à cruz e as dores de Maria

Maria junto à cruz segundo João, o discípulo amado, a profecia de Simeão, a devoção às dores de Maria e a Pietà, uma imagem devocional que os Evangelhos não descrevem.

Referências bíblicas: Jo 19,25-27; Lc 2,35; Mt 27,55-56; Mc 15,40; Jo 19,38-42

Escultura policromada: Maria, de manto dourado e véu, sentada, sustenta sobre o colo o corpo de Cristo morto, de cabeça inclinada para trás.
Pietà, escultura alemã em madeira policromada, 1435-40 (The Cloisters).Autoria: Escultor alemão não identificado. Acervo: The Cloisters Collection, The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). OrigemVer a obra inteira

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

Junto à cruz, segundo João

«Estavam junto à cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto dela o discípulo que amava, disse à mãe: "Mulher, eis aí teu filho". Depois disse ao discípulo: "Eis aí tua mãe". E desde aquela hora o discípulo a levou para sua casa» (Jo 19,25-27).

Em Mateus e em Marcos, as mulheres que olhavam de longe incluem Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e José, e (Mc) Salomé; nenhuma delas é chamada «mãe de Jesus» (Mt 27,55-56; Mc 15,40). Só João situa a mãe de Jesus junto da cruz.

Fontes: Evangelho segundo João (Nova Vulgata); Evangelho segundo Mateus (Nova Vulgata); Evangelho segundo Marcos (Nova Vulgata)

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

A profecia de Simeão

Na apresentação no Templo, Simeão dissera a Maria: «uma espada atravessará a tua própria alma» (Lc 2,35). O Concílio Vaticano II relaciona essa profecia com a cruz.

Fontes: Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata); Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II)

Tipo de conteúdo: Tradição cristã

Quem é o discípulo amado

O quarto Evangelho não dá o nome do discípulo «que ele amava». A tradição o identifica com João, apóstolo. Em sua homilia em Éfeso (2006), Bento XVI o chama de testemunha privilegiada do momento em que Maria, unida ao Filho na oferta de seu sacrifício, estendeu a sua maternidade a todos os homens e mulheres, e o descreve como o único apóstolo que permaneceu no Gólgota com a Mãe de Jesus.

Fontes: Evangelho segundo João (Nova Vulgata); Homilia de Bento XVI diante do Santuário de Meryem Ana Evi, em Éfeso (29/11/2006)

Tipo de conteúdo: Doutrina da Igreja

Maria junto à cruz

O Concílio Vaticano II ensina que Maria avançou pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com o Filho até a cruz, junto da qual esteve, «não sem desígnio de Deus», padecendo profundamente com seu Filho único e associando-se com coração de mãe ao seu sacrifício; e que Jesus, agonizante, a deu por mãe ao discípulo (LG 58). Em sua homilia, Bento XVI vê nesse momento a ampliação da maternidade de Maria à humanidade.

Fontes: Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II); Homilia de Bento XVI diante do Santuário de Meryem Ana Evi, em Éfeso (29/11/2006)

Tipo de conteúdo: Relato devocional

As dores de Maria

A devoção às dores de Maria tem expressão litúrgica no Calendário Romano Geral: em 15 de setembro, memória de Nossa Senhora das Dores. A devoção das «Sete Dores», com sua lista, origem e orações, ainda não foi pesquisada em fontes identificáveis e por isso não é descrita nesta edição.

Fontes: General Roman Calendar (Calendário Romano Geral)

Tipo de conteúdo: Arte e iconografia

A Pietà: uma imagem devocional

O Cristo morto no colo da mãe é uma imagem devocional. O museu Liebieghaus, de Frankfurt, explica que grupos com o Cristo descido da cruz no colo da mãe eram populares no século XIV, que em alemão se chamam Vesperbild (de vespera, «tarde», pela oração das vésperas que recorda a deposição da cruz) e em inglês pietà (do italiano «piedade»), e que as pietàs têm caráter mais simbólico do que narrativo.

O Evangelho de João diz que José de Arimateia e Nicodemos retiraram o corpo e o envolveram em faixas com aromas (Jo 19,38-40), sem mencionar Maria nesse momento. A imagem da Pietà é, assim, posterior e devocional, e não descrição bíblica. A escultura alemã de cerca de 1435-40, do Cloisters, é um exemplo dessa tradição.

Fontes: Pietà (Liebieghaus Skulpturensammlung); Evangelho segundo João (Nova Vulgata)

Tipo de conteúdo: Arte e iconografia

Maria ajoelhada na Crucificação

Na pintura de Gerard David (cerca de 1495), Maria, de véu claro e manto escuro, está ajoelhada junto à cruz, com João; à direita, São Jerônimo e uma santa. Jerônimo viveu séculos depois: a pintura reúne, como é comum na arte devocional, personagens de épocas diferentes.

Fontes: Acervo Open Access do Metropolitan Museum of Art: obras sobre a vida de Maria

Cristo na cruz sobre uma paisagem com cidade ao longe; à esquerda, Maria, de véu claro e manto escuro, e João; à direita, São Jerônimo e uma santa ajoelhada.
Gerard David, A Crucificação, cerca de 1495.Autoria: Gerard David. Acervo: The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). Origem

Última verificação documental: · Revisão teológica humana: ainda não realizada.