A vida de Maria, parte 9 de 13

Maria na vida pública de Jesus

Caná, as passagens em que a mãe de Jesus aparece durante o seu ministério, o discipulado e a escuta da Palavra, e a relação entre a maternidade de Maria e a missão de Cristo.

Referências bíblicas: Jo 2,1-12; Mc 3,20-35; Mt 12,46-50; Lc 8,19-21; Lc 11,27-28; Mc 6,1-6; Mt 13,53-58

Convivas à mesa coberta de branco numa sala de colunas; Jesus e Maria, de véu, sentam-se à esquerda, e um servo derrama água de uma jarra junto às grandes talhas.
Juan de Flandes, As Bodas de Caná, cerca de 1497.Autoria: Juan de Flandes. Acervo: The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). OrigemVer a obra inteira

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

Bodas de Caná

«Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: "Eles já não têm vinho". Respondeu-lhe Jesus: "Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou". Disse, então, sua mãe aos serventes: "Fazei o que ele vos disser"» (Jo 2,1-5, na tradução do sítio do Vaticano).

Jesus manda encher de água seis talhas de pedra e levá-las ao mestre-sala, que prova a água transformada em vinho. João conclui: «Este foi o início dos sinais de Jesus, em Caná da Galileia; manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele». Depois Jesus desce a Cafarnaum com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos (Jo 2,6-12).

Fontes: Evangelho segundo João (Nova Vulgata); Sagrada Escritura - passagens marianas (Lc 1-2; Mt 1-2; Jo 2; Jo 19; At 1)

Tipo de conteúdo: Relato bíblico

Outras passagens em que a mãe de Jesus aparece

Em Marcos, durante a pregação em casa, os seus saem para detê-lo, porque diziam que estava fora de si (Mc 3,20-21); chegam depois sua mãe e seus irmãos, que o chamam de fora, e Jesus responde: «Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?», e, olhando os que estavam sentados ao redor: «Eis a minha mãe e os meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mc 3,31-35; paralelos em Mt 12,46-50 e Lc 8,19-21).

Em Lucas, uma mulher da multidão exclama: «Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram!», e Jesus responde: «Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam» (Lc 11,27-28). Em Nazaré, os conterrâneos perguntam: «Não é este o carpinteiro, o filho de Maria?» (Mc 6,3); em Mateus: «Sua mãe não se chama Maria?» (Mt 13,55).

Fontes: Evangelho segundo Marcos (Nova Vulgata); Evangelho segundo Mateus (Nova Vulgata); Evangelho segundo Lucas (Nova Vulgata)

Tipo de conteúdo: Doutrina da Igreja

Discipulado e escuta da Palavra

O Concílio Vaticano II lê essas passagens como indicação de que Maria acolheu as palavras com que Jesus colocou o reino acima de todos os laços de parentesco e proclamou bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática, o que ela fazia fielmente (cf. Lc 2,19.51); assim, avançou pelo caminho da fé, mantendo a união com seu Filho até a cruz (LG 58). Na leitura da Igreja, as palavras de Jesus não rebaixam a mãe: indicam em que consiste a sua grandeza.

Fontes: Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II)

Tipo de conteúdo: Doutrina da Igreja

Maternidade e missão

Para o Concílio, Maria foi a mais generosa cooperadora do Salvador e, por isso, «nossa mãe na ordem da graça» (LG 61). A função materna de Maria em relação aos homens «de modo algum ofusca ou diminui» a única mediação de Cristo, mas manifesta a sua eficácia (LG 60; Catecismo § 970).

Fontes: Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II); Catecismo da Igreja Católica, §§ 683-1065 (Espírito Santo, Igreja; Maria)

Tipo de conteúdo: Questão ainda não esclarecida

Leituras diversas

Há diferentes leituras sobre o sentido de «Mulher, isso compete a nós?» em Caná e sobre as passagens em que Jesus parece relativizar os laços de família. Este projeto ainda não reuniu estudos exegéticos e não adota uma leitura única; apresenta os textos e a leitura do Concílio.

Sem fonte específica: nota editorial do projeto.

Tipo de conteúdo: Arte e iconografia

Caná e a despedida na arte

A pintura de Juan de Flandes (cerca de 1497) mostra o banquete de Caná em uma sala de colunas, com Jesus e Maria à mesa e um servo derramando água das jarras. Na xilogravura «Cristo se despede de sua Mãe», de Dürer, uma mulher ajoelhada, amparada por outras, está diante de Cristo em pé.

Fontes: Acervo Open Access do Metropolitan Museum of Art: obras sobre a vida de Maria

Tipo de conteúdo: Nota editorial

Uma cena que os Evangelhos não narram

A despedida entre Jesus e sua mãe, antes da Paixão, é tema da arte e da devoção medievais. Nenhum dos quatro Evangelhos canônicos narra essa cena.

Sem fonte específica: nota editorial do projeto.

Gravura em preto e branco: ao ar livre, junto a um cercado e a uma árvore, uma mulher ajoelhada, amparada por outras, diante de Cristo em pé.
Albrecht Dürer, Cristo se despede de sua Mãe, da série A Vida da Virgem, 1511.Autoria: Albrecht Dürer. Acervo: The Metropolitan Museum of Art, Nova York. Licença: CC0 1.0 (Open Access do The Metropolitan Museum of Art). Origem

Última verificação documental: · Revisão teológica humana: ainda não realizada.