Tipo de conteúdo: Nota editorial
O silêncio da Escritura
Os textos bíblicos consultados para esta jornada não contam como terminou a vida terrena de Maria. Tudo o que se diz sobre isso pertence à tradição, à liturgia e ao ensino da Igreja, e este site não inventa detalhes dos últimos anos de Maria.
Sem fonte específica: nota editorial do projeto.
Tipo de conteúdo: Liturgia e calendário
Dormição e Assunção na liturgia
Pio XII, na Munificentissimus Deus, observa que os livros litúrgicos da festa da Dormição ou da Assunção de Santa Maria concordam em referir que, quando a Virgem Mãe de Deus passou deste exílio para o céu, sucedeu ao seu corpo algo condizente com a dignidade da Mãe do Verbo encarnado. Cita o Sacramentário enviado por Adriano I a Carlos Magno («não poderia ficar presa com as algemas da morte aquela que gerou no seu seio o Verbo de Deus encarnado»), o Sacramentário Galicano («inexplicável mistério, tanto mais digno de ser proclamado quanto é único entre os homens») e a liturgia bizantina. Recorda ainda que a festa, que no início tinha a mesma solenidade das demais festas marianas, foi elevada ao grau das mais solenes, e que já se celebrava com o nome de Assunção no tempo de Leão IV.
Fontes: Constituição Apostólica Munificentissimus Deus (texto em português)
Tipo de conteúdo: Tradição cristã
Os Padres e a tradição
Pio XII aponta São João Damasceno como pregoeiro dessa tradição. Em seu elogio da Dormição, Damasceno exclama: «Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. [...] Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus».
Fontes: Constituição Apostólica Munificentissimus Deus (texto em português)
Tipo de conteúdo: Narrativa apócrifa
Os relatos antigos do «Trânsito»
Segundo a Enciclopédia Católica de 1912, as obras apócrifas dos séculos II a IV, entre elas o «Livro de João sobre a Dormição de Maria» (séculos III-IV) e o tratado «De transitu B. M. Virginis» (século IV), colocam o túmulo de Maria em Getsêmani. O mesmo artigo reconhece o valor histórico desses textos, ainda que apócrifos, como reflexo da tradição dos primeiros séculos. Eles não foram lidos diretamente nesta edição.
Fontes: Tomb of the Blessed Virgin Mary (Enciclopédia Católica, 1912)
Tipo de conteúdo: Tradição cristã
O túmulo vazio de Getsêmani
A Enciclopédia Católica de 1912 informa que no início do século V um peregrino armênio visitou «o túmulo da Virgem no vale de Josafá»; por volta de 431, o Breviarius de Hierusalem cita ali a basílica de Santa Maria, com o seu sepulcro; e, segundo a tradição citada por São João Damasceno, o bispo Juvenal de Jerusalém enviou a Constantinopla, em 452, o sudário da Virgem guardado na igreja de Getsêmani. Peregrinos de diversos ritos veneravam ali o túmulo vazio.
Fontes: Tomb of the Blessed Virgin Mary (Enciclopédia Católica, 1912)
Tipo de conteúdo: Doutrina da Igreja
A definição de 1950
Em 1º de novembro de 1950, Pio XII definiu como dogma divinamente revelado que «a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celeste» (Munificentissimus Deus, § 44; em latim, expleto terrestris vitae cursu). A fórmula não diz o lugar nem emprega a palavra «morte». O Catecismo (§ 966) ensina que a Assunção é uma singular participação na ressurreição do Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos, e o Concílio Vaticano II a menciona em LG 59 e 68.
Fontes: Constituição Apostólica Munificentissimus Deus; Catecismo da Igreja Católica, §§ 683-1065 (Espírito Santo, Igreja; Maria); Constituição dogmática Lumen Gentium, capítulo VIII (Concílio Vaticano II)
Tipo de conteúdo: Liturgia e calendário
Calendário
A Assunção da Virgem Maria é celebrada em 15 de agosto (solenidade), e a Realeza da Virgem Maria em 22 de agosto (memória).
Tipo de conteúdo: Arte e iconografia
A morte e a assunção na arte
A xilogravura de Dürer «A Morte da Virgem» (1510) mostra Maria em leito com dossel cercada pelos apóstolos. Na pintura de Carlo Saraceni, «A Dormição da Virgem» (cerca de 1612), os apóstolos se agrupam em torno de Maria em uma grande sala. A «Assunção» de Luca Signorelli (cerca de 1493-96) a mostra entre anjos músicos, e a xilogravura de Dürer a representa coroada, com os apóstolos em torno do sepulcro aberto. São representações da tradição e da definição dogmática, não relatos bíblicos.
Fontes: Acervo Open Access do Metropolitan Museum of Art: obras sobre a vida de Maria



Tipo de conteúdo: Questão ainda não esclarecida
O que permanece em aberto
Se Maria morreu antes de ser assunta ou foi assunta sem passar pela morte é questão que a fórmula de 1950 não resolve; a liturgia oriental fala em Dormição, a latina em Assunção. As leituras teológicas dessa diferença e o conteúdo dos relatos do Trânsito precisam de estudo acadêmico específico, ainda pendente.
Sem fonte específica: nota editorial do projeto.
Última verificação documental: · Revisão teológica humana: ainda não realizada.

